quarta-feira, 2 de março de 2011

Momento inspiração - essa tal Filosofia

Não sei em qual momento decidi que iria fazer Filosofia.
Tomei esta decisão muito cedo, e como tenho uma teimosia peculiar não sosseguei enquanto consegui realizar meu profundo desejo.
Desejo esse que não sei de onde veio, mas que apareceu e tomou conta em uma proporção infinita.
Dei as costas para todos os cursos existentes na face da Terra. Fiz teste vocacional e sempre pendeu para humanas, bastava aparecer “FILOSOFIA” para eu ignorar todo o resto.
E assim o tempo foi passando, convivi com pessoas que gostavam e estudavam Filosofia e essa vontade aumentou ainda mais.
Por pura falta de confiança em mim deixei de lado a possibilidade de concorrer a uma vaga em universidades públicas, mas não me importei, para fazer Filosofia eu seria capaz de pagar.
De primeira não fui sequer aprovada nas faculdades que prestei. Um ano depois consegui passar e quando me matriculei o que mais escutei foi “Audácia a sua, filosofia é para gente culta e inteligente”.
Em 2009 entrei para o curso de Filosofia na universidade São Judas Tadeu, em uma sala que era um aglomerado de gente esquisita, posando de inteligente, com nenhum tipo de capacidade de interação.
Tive minha primeira crise logo com duas semanas de aula quando me dei conta que Filosofia não é a salvadora da verdade, que verdade única não existe: meu mundo desabou.
Enfrentei a crise, me dispus a estudar e com pouca dificuldade passei de ano.
Segundo ano de faculdade com terreno já conhecido, entrei em crise novamente – tudo culpa das aulas de Filosofia política e do meu amado lírico Nietzsche – e mais uma vez tive a perspectiva de que tudo no mundo está aberto. Tirei boas notas e passei.
Cá estou no terceiro ano e derradeiro, já exausta com tanto blá blá blá, não conseguindo mais me emocionar como nos anos anteriores, sem saber de verdade o que escolher para o TCC, rezando para todas as energias do universo que tudo seja rápido e indolor.
Confesso que fico um pouco decepcionada com a escolha que fiz, apesar de conhecer pessoas maravilhosas, é um curso estranho com gente mais estranha ainda, rola uma certa vaidade, as pessoas têm tabus de se entregarem a uma interação. Vou terminar meu curso sem ouvir a voz de muitos colegas de classe, sem nenhuma festinha comemorativa e com intuito filosófico, por esses motivos (além do mercado restrito de trabalho) que acho equivocada minha escolha – pagarei por ela, concerteza.
Porém se eu parar para pensar um segundo te digo que Filosofia abriu os horizontes de pensamentos, hoje em dia consigo conversar de igual para igual com qualquer pessoa sobre qualquer assunto, conquistei uma quietude que outrora jamais pensei que conseguiria, aprendi que Filosofia não passa de uma interpretação sobre o mundo que foi construído através de pessoas que se preocupavam com determinados assuntos e que se dispuseram a dar seu “pitaco” , e assim o mundo Ocidental pegou esses pitacos e introduziu na cultura deste lado do mundo – arrisco a dizer que Filosofia é uma forma de poesia!
Uma coisa é quase certa: não irei adiante nisto. Meu desejo já foi saciado, não sou intelectual, quero ficar “meio ignorante” para conseguir levar esta dura realidade de forma mais amena, não tenho pretensão em me tornar uma chata que acha que sabe tudo sobre o mundo (como já vi que infelizmente existe).
Minha pretensão de salvar, mudar o mundo acabou quando percebi através da Filosofia que isso não passa de uma ilusão.
O mais bonito que ganhei com essa tal Filosofia foi à veemência que o melhor que eu posso fazer é VIVER!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Amar-me é ter pena de mim (Bernardo Soares)


Sinto que não sinto.
Há um medo misturado com angústia e culpa, muita culpa.
Estou estéril: de pensamentos, de sentimentos, de cansaços, de tédios e alegrias momentâneas. Estou estéril de mim.
A negação faz parte dos meus dias, nego tudo – só não nego a vida.
Se esse dia chegar (o de negar a vida) prefiro a morte.
Pensamentos incoerentes, angústia presente, impotência latente.
De tanto querer tudo e o mundo, hoje tenho o NADA, o VAZIO.
Fico eu tentando preenchê-lo com sei lá o que.
Até quando terei que conviver com a insatisfação?
Até quando terei que conviver com o olhar que tenho de mim mesma?
Até quando terei a fé que sou um ser humano digno de nada?
Até quando desejarei ser outra pessoa, querendo ser eu?
Até quando viverei carregando a culpa de todos meus atos?
Até quando caminharei sobre a linha tênue da loucura e da sanidade?
Uma voz baixinha ecoa sobre meus ouvidos e me dá a resposta.
- Até quando você não viver. Estar vivo, é estar propenso a passar por isso.
(Camila Lima)


Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim. (Bernardo Soares).


* Bernardo Soares é um heterônimo de Fernando Pessoa no qual eu mais me identifico, pela sua inquietude e seu desassossego na alma e na vida. Ao lê-lo consigo sentir que não estou sozinha no mundo – existiu alguém com as mesmas sensações, angústias que eu.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Procurando sarna para se coçar.
Querendo e forçando sentimentos para depois se decepcionar.
Porque que tem que ser assim?
Porque essa necessidade de pulsação forte no coração?
Para que se iludir? Porque gostas de se iludir com aquilo que NUNCA vai ser seu?
A imaginação ainda vai acabar comigo......

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Escolhas.
O que são escolhas? E Deus a criou porque?
Existe Deus e existe escolha?
Se existe escolha não existe destino.
Mas se não existe destino como eu fico?
Porque eu não escolhi nascer na minha família,
Não escolhi sofrer, não escolhi não ter sorte.
E daí vem à pergunta, escolha, pra que?
Entre perguntas e constatações, fico com o pé no chão – apesar de viver em um constante sonho.
Nós somos o que escolhemos e a vida vai se moldar a partir disto.
Fiz escolhas quando criança, que hoje quase 18 anos depois pago o preço.
Não queria ter que escolher queria ter e poder viver todas as opções de escolhas que a vida pode me oferecer.
Só que isso já é demais, a dinâmica da natureza não permite isso.
O que me resta é ficar no absurdo e na angústia das escolhas.

(Camila Lima)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Inquieta.
Com vontade de viver aquilo que não é.
Remoendo-me até abrir a ferida que dá a tristeza.
A vida é dualidade.
Tenho felicidade, porém necessito da tristeza, da mágoa,
Como combustível para abastecer o que é feliz.
Satisfação não faz parte do vocabulário.
Quero mais, mais e mais, para não ter nada, para não ser nada.
Sou estranha? Talvez eu seja, talvez só me ache assim.
E a indecisão marca o presente, para não haver futuro.
A sensação é que a emoção não cabe no peito e vai explodir.
Quero o mundo, todos os sentimentos e você para mim.

(Camila Lima)

Ta fueda, a neurose ta batendo forte e firme, e elá vai eu procurar a causa disso.
Preciso parar de pensar no OUTRO, no que o OUTRO vai achar de mim.
Isso tá me impedindo, mesmo eu que sou autêntica ao extremo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Procurando paixões e emoções onde não existem.
Sou especialista na criação de realidades paralelas.

Aprendi ontem que para Freud somos eternos insatisfeitos, somos seres desejantes.
Se ele falou tá falado! Só sei que me enquandro!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como eu queria que você soubesse o quanto minha mente fantasia você.
Sua presença, o que nós poderíamos viver, cada palavra que eu desejo que você fale para mim.
Enfim, senti nos seus olhos que te assustei, mas é assim que eu sou, nada mais e além disso - quero o simples, sou simples e feliz!

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Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(Álvaro de Campos)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Eu sou uma pessoa boa, ao menos me considero assim.
Tenho valores galgados no puro bem. Por conta disso chego até ser inocente.
Alguns fatos recentes demonstraram que não dá para se confiar tanto nas pessoas, e muito menos ajudar a quem jamais te ajudou.
O resultado é ingratidão.
Uma coisa é certa, pisou no meu calo viro o Satánas, não vem me tirar de Loki porque aqui o bagulho é doido.
E o não menos importante: Cada qual vê o seu lado, não adianta acreditar no contrário!